Mondo Bizarro. Quinta-feira, 03 de abril de 2008.

Foi quase isso o que vi no busão, exceto pelo gorro. Foto: http://www.adventureassociates.com
Tem coisas que só acontecem na cidade grande. Como a cena que pude presenciar na última quinta-feira, dia 3, por volta de 19h10, dentro de um ônibus, na Brigadeiro Luiz Antônio, logo depois da São Gabriel. Estava eu sentado no fundão e o metal do Black Label Society invadia meus tímpanos. Alheio a tudo, observava a paisagem ainda úmida da chuva recente. De repente, começo a ouvir o som inconfundível da flauta pan e de algo que lembrava um instrumento de cordas. Pensei: “Ué, tem gente ouvindo música aqui no busão?”. Olhei para a frente e vi um daqueles tipos andinos – talvez um boliviano – tocando sua flauta e algo assemelhado a um cavaquinho. Volta e meia, ele parava de tocar e mostrava um desenho indicativo dos Dez Mandamentos. Aquela lenga-lenga começou a me incomodar. Resolvi descer umas quadras antes da Paulista para escapar do pregador com sotaque. Ele estava fazendo uma venda promocional de seus CDs – a 10 reais cada - com músicas supostamente religiosas. Em pé, postado diante da porta que demorou intermináveis minutos a abrir, ainda pude ouví-lo dizer: “Bamos loubar a Deus” e, depois, um “Amén, irmaon”. Isso sim é que é globalização, sincretismo religioso e tudo mais. Pois é, o mundo mudou. Há uns 20 anos, vi uma cena parecida, mas o músico em questão trazia apenas seu violão e interpretou “Guantanamera”. O velho hino cucaracha já não surte o mesmo efeito. Agora, só mesmo apelando para as tábuas da Lei...
Escrito por Alessandro Pinesso às 18h15
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